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Diretor ligado à empresa usada pelo Banco Master é investigado por suspeita de lavagem em esquema de bets ilegais

Um ex-funcionário do Banco Master e dirigente da Tirreno, instituição financeira envolvida na venda de créditos ao Banco de Brasília (BRB), é alvo de investigação por suposta participação em um esquema de lavagem de dinheiro associado a apostas online ilegais.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

André Felipe de Oliveira Seixas Maia, de 54 anos, teria atuado como principal sócio de uma empresa apontada pela Polícia Civil de São Paulo como peça-chave na engrenagem financeira de organizações ligadas a jogos de azar clandestinos. A apuração tramita sob sigilo e foi revelada inicialmente pelo SBT News.

A defesa do empresário nega irregularidades e afirma que a inexistência de ilícitos será comprovada ao longo do processo.

Mudança societária após diligências

Segundo a investigação, Maia deixou a intermediadora de pagamentos Silium poucos dias depois de agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) comparecerem à sede da empresa, em março de 2025. Uma semana após a visita policial, ele e outros três sócios renunciaram à sociedade. A empresa mudou de nome e passou a se chamar Nuoro Pay.

Para os investigadores, a alteração pode indicar tentativa de reorganização societária ou ocultação da estrutura de controle.

A Silium/Nuoro Pay é suspeita de administrar contas bancárias de empresas de fachada que receberiam recursos de apostas ilegais. Entre os mecanismos utilizados estariam as chamadas “contas-bolsão”, modelo que permite concentrar valores de diversas origens e dificulta o rastreamento das transações — prática também identificada em investigações contra o PCC.

Relação com operação envolvendo o BRB

Paralelamente, Maia figurava como diretor da Tirreno, empresa que teria originado créditos posteriormente adquiridos pelo Banco Master e revendidos ao BRB. Entre janeiro e maio de 2025, a Tirreno cedeu cerca de R$ 6,7 bilhões em créditos ao Master, que os repassou ao banco público do Distrito Federal por R$ 12,2 bilhões.

A Polícia Federal do Brasil aponta suspeitas de que os créditos seriam inconsistentes ou sem lastro suficiente. O BRB anunciou fusão com o Master em março de 2025.

Embora as investigações sobre as apostas ilegais não indiquem, até o momento, conexão direta com as operações envolvendo os bancos, fontes ligadas ao Banco Central do Brasil avaliam que os casos revelam a complexidade das estruturas investigadas.

Estrutura de apostas

De acordo com o inquérito, as bets investigadas operavam em moldes semelhantes às chamadas “bets chinesas”, utilizando CNPJs de laranjas para receber depósitos, dificultando saques e oferecendo jogos online como o popular “tigrinho”. O formato é permitido apenas quando operado por casas autorizadas pelo Ministério da Fazenda e dentro das regras estabelecidas.

O Ministério Público do Estado de São Paulo afirma que há indícios de estrutura transnacional voltada à prática de jogos de azar ilegais, fraudes financeiras e lavagem de dinheiro.

Em depoimento, Daniel Vorcaro declarou que realizou negócios com a Tirreno por conhecer um dos responsáveis pela empresa e afirmou não ter verificado o lastro do capital social declarado.

A investigação segue em curso e ainda não houve conclusão formal sobre responsabilidades.

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