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Diretor do Banco Central relata à PF que prejuízo do BRB com o Master pode alcançar R$ 5 bilhões

Em depoimento prestado à Polícia Federal no fim de dezembro, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino, afirmou que as perdas do BRB (Banco de Brasília) relacionadas às operações com o Banco Master podem chegar a aproximadamente R$ 5 bilhões.


Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central/Arquivo
Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central/Arquivo

Segundo ele, o valor a ser reservado pelo banco público para cobrir os danos será elevado devido à baixa qualidade dos ativos recebidos como compensação.

Até agora, cerca de R$ 2,6 bilhões já foram identificados e o Banco Central determinou que o BRB fizesse o provisionamento desse montante. No entanto, de acordo com Aquino, a análise técnica indica a necessidade de uma reserva adicional de aproximadamente R$ 2,2 bilhões, justamente pela fragilidade dos ativos repassados pelo Master.

A Polícia Federal apura a venda de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas fraudulentas, negociadas pelo Banco Master com o BRB. A instituição do Distrito Federal informou anteriormente que parte relevante dos valores — em torno de R$ 10 bilhões — teria sido recuperada por meio da substituição dos créditos problemáticos.

Reportagem da Folha de S.Paulo, contudo, revelou que os ativos entregues como substituição incluem fundos compostos por ações de empresas desvalorizadas, carteiras de crédito inadimplentes e imóveis ligados à família de Daniel Vorcaro, controlador do Master, com baixa liquidez no mercado.

O Banco Central ainda avalia a real qualidade desses ativos, processo que também está sendo conduzido internamente pelo BRB. Para isso, o banco contratou o escritório Machado Meyer e a consultoria Kroll. Em nota, o BRB afirmou que qualquer estimativa de necessidade de capital levará em conta todos os impactos identificados na análise dos fundos e ativos recebidos. A instituição informou ainda que já existe um plano de capitalização em elaboração, que será encaminhado ao regulador após a conclusão das avaliações.

Caso o valor final do provisionamento seja confirmado, o Governo do Distrito Federal, controlador do BRB, poderá ser obrigado a realizar um aporte de capital no banco.

Nos bastidores, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — afastado após o avanço das investigações — tem sustentado que as operações foram realizadas com deságio e dentro de critérios técnicos adequados.

As apurações do Ministério Público Federal indicam que o Banco Master teria adquirido carteiras de crédito da consultoria Tirreno sem efetuar pagamento e, em seguida, repassado esses ativos ao BRB. No depoimento à PF, Aquino também afirmou que o Banco Central tinha conhecimento dos problemas desde março de 2025, quando questionou formalmente o BRB sobre a situação.

Segundo ele, a partir desse contato, o banco passou a informar regularmente o BC e iniciou o processo de substituição dos ativos considerados inexistentes. Um ofício enviado em julho de 2025 detalhou a internalização de novos ativos, como títulos imobiliários, fundos, ações, créditos consignados e papéis no exterior.

O diretor do Banco Central afirmou ainda que não sofreu qualquer tipo de pressão de autoridades para influenciar decisões sobre a liquidação do Master. A compra do banco pelo BRB foi vetada pelo BC em setembro de 2025, e a liquidação da instituição financeira foi anunciada em novembro do mesmo ano.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou que todas as carteiras foram devidamente substituídas por ativos registrados, auditados e precificados conforme normas técnicas, sob supervisão do Banco Central, e que a operação foi aprovada pelo BRB dentro dos parâmetros contábeis vigentes à época.

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