Delação rejeitada amplia crise na defesa de Daniel Vorcaro
- Adilson Silva

- há 18 horas
- 3 min de leitura
A fracassada tentativa de Daniel Vorcaro de firmar um acordo de colaboração premiada com as autoridades provocou desgastes não apenas com os investigadores responsáveis pelo caso, mas também dentro de sua própria equipe jurídica. Integrantes da investigação afirmam que a proposta apresentada foi considerada insuficiente e sem informações relevantes que justificassem a celebração do acordo.

Segundo pessoas envolvidas nas negociações, um dos principais pontos de questionamento diz respeito à relação do ex-controlador do Banco Master com o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP. Investigadores avaliam que as explicações apresentadas por Vorcaro até o momento não esclarecem adequadamente fatos já identificados durante a apuração.
De acordo com relatos de interlocutores ligados ao caso, o empresário sustenta que os vínculos financeiros com o parlamentar decorreram de uma relação de amizade. O senador, por sua vez, nega qualquer irregularidade e afirma não ter recebido recursos ilícitos.
Pessoas próximas às tratativas afirmam que a colaboração premiada exige não apenas a admissão dos crimes praticados, mas também a apresentação de provas e informações consistentes sobre outros envolvidos. Nesse contexto, investigadores teriam deixado claro que não aceitariam versões consideradas falsas ou incompletas.
Saída de advogado expôs divergências
A fragilidade das informações apresentadas por Vorcaro também teria contribuído para o rompimento com o advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, que deixou oficialmente a defesa em maio.
Nos bastidores, a saída foi atribuída a divergências entre defensor e cliente. Segundo relatos, o advogado teria alertado Vorcaro sobre a gravidade do cenário jurídico enfrentado e defendido uma postura mais transparente diante das autoridades. Nem o ex-advogado nem a atual defesa comentaram o assunto.
Polícia Federal rejeitou proposta pela segunda vez
Na última semana, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição de uma nova proposta de delação apresentada por Vorcaro. O entendimento dos investigadores foi de que o material entregue não trouxe fatos inéditos nem contribuições relevantes para o avanço das apurações.
Entre as suspeitas investigadas está a suposta realização de pagamentos ao senador Ciro Nogueira por meio de Felipe Vorcaro, primo do empresário. As investigações também apuram o custeio de despesas pessoais e deslocamentos do parlamentar. Ciro nega qualquer participação em irregularidades.
Conforme a PF, para que um acordo de colaboração seja aceito, o investigado deve confessar crimes, apresentar provas que sustentem suas declarações e fornecer elementos que permitam identificar outros participantes do esquema investigado.
Investigações continuam em andamento
Os investigadores avaliam que o volume de provas reunidas até agora ainda está longe de ser totalmente analisado. Documentos apreendidos, quebras de sigilo e outros materiais seguem sob exame da Polícia Federal.
A expectativa é que o ministro do STF André Mendonça, relator do caso, prorrogue o prazo das investigações até a conclusão dos trabalhos.
Preso desde novembro do ano passado, quando foi detido ao tentar embarcar para o exterior pelo Aeroporto de Guarulhos, Vorcaro afirma que viajava para tratar de negociações envolvendo investidores interessados no Banco Master. A Polícia Federal, porém, suspeita que ele pretendia deixar o país para escapar das investigações.
Desde a prisão, o empresário viu diversos advogados deixarem sua defesa. Além de José Luis Oliveira Lima, também se desligaram da equipe nomes como Walfrido Warde, Pierpaolo Bottini e Roberto Podval, evidenciando o ambiente de tensão em torno do caso.
Enquanto as negociações para um acordo seguem sem avanço, a investigação permanece em curso e poderá resultar em novos desdobramentos nos próximos meses.







Comentários