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Datafolha aponta eleitores de Lula e Flávio Bolsonaro fora dos campos ideológicos tradicionais

Levantamento do Instituto Datafolha mostra que uma parcela dos eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro está posicionada em espectros ideológicos diferentes daqueles normalmente associados aos dois pré-candidatos à Presidência.

Segundo a pesquisa, entre os entrevistados que declararam voto em Lula, 24% foram classificados como de direita ou centro-direita. Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 19% aparecem como integrantes da esquerda ou centro-esquerda.

A classificação utilizada pelo Datafolha não leva em consideração a autodefinição dos entrevistados. O posicionamento ideológico é calculado a partir de respostas sobre temas relacionados a comportamento, valores sociais e economia.

No eleitorado de Lula, 60% estão distribuídos entre esquerda (24%) e centro-esquerda (36%). Outros 16% foram enquadrados no centro, enquanto 19% aparecem na centro-direita e 5% na direita.

Entre os apoiadores de Flávio Bolsonaro, 64% se concentram entre direita (25%) e centro-direita (38%). O levantamento ainda aponta 17% no centro, 15% na centro-esquerda e 3% na esquerda.

O estudo também analisou o perfil ideológico dos eleitores que afirmam ter votado no segundo turno da eleição presidencial de 2022. Entre os que disseram ter escolhido Lula, 56% estão na esquerda ou centro-esquerda, 17% no centro e 27% na direita ou centro-direita. Já entre os eleitores que afirmam ter votado no ex-presidente Jair Bolsonaro, 64% foram classificados como de direita ou centro-direita, 17% no centro e 19% na esquerda ou centro-esquerda.

A metodologia do instituto considera 16 perguntas para definir o perfil ideológico dos entrevistados. Dez delas abordam questões de comportamento, como segurança pública, religião, sindicatos e maioridade penal, enquanto outras seis tratam de temas econômicos, incluindo impostos, papel do Estado, legislação trabalhista e investimentos.

Entre os resultados destacados, a pesquisa mostra que 34% dos eleitores de Flávio Bolsonaro defendem a proibição da posse de armas, posição divergente de uma das principais bandeiras do parlamentar. Já 26% dos eleitores de Lula afirmam que a legislação trabalhista prejudica mais o crescimento das empresas do que protege os trabalhadores.

O levantamento foi realizado presencialmente nos dias 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.

 
 
 

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