Crédito consignado do INSS registra forte queda com novas regras e aumento do endividamento entre idosos
- Adilson Silva

- há 5 horas
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Volume de empréstimos concedidos recuou cerca de 40% nos últimos dois anos, influenciado por medidas de segurança e pela situação financeira dos aposentados
A concessão de novos empréstimos consignados para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentou uma redução expressiva nos últimos dois anos. Dados do Banco Central indicam que os desembolsos dessa modalidade de crédito somaram R$ 22,6 bilhões entre janeiro e abril de 2026, abaixo dos R$ 33,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado e dos R$ 37,7 bilhões observados em 2024.

O consignado, que tem as parcelas descontadas diretamente da aposentadoria ou pensão, é considerado uma das linhas de crédito mais acessíveis do mercado. Em abril, a taxa média anual de juros ficou em 23,9%, significativamente inferior à média de outras modalidades de crédito para pessoas físicas.
Especialistas apontam que a retração do mercado está relacionada a uma combinação de fatores, entre eles o aumento do endividamento da população idosa e a adoção de regras mais rígidas para contratação. Para alguns analistas, a redução representa uma acomodação após anos marcados por denúncias de fraudes e práticas abusivas na oferta desse tipo de empréstimo.
Apesar da queda nas novas concessões, o estoque total de crédito consignado para beneficiários do INSS permanece elevado. Em abril deste ano, o saldo alcançou R$ 281,7 bilhões. Segundo o Ministério da Previdência, cerca de 38% dos segurados possuem ao menos um contrato ativo dessa modalidade.
O cenário financeiro dos idosos também preocupa. Dados da Serasa mostram que quase metade das pessoas com mais de 60 anos estava negativada no fim de 2025, percentual superior ao registrado em 2021. Levantamentos recentes indicam ainda que grande parte dos aposentados compromete quase toda a renda mensal com despesas fixas e dívidas.
Biometria reduziu acesso ao crédito
Entre as medidas adotadas para reforçar a segurança das operações está a exigência de validação biométrica pelo aplicativo Meu INSS, com conferência de dados junto à Justiça Eleitoral. A mudança foi implementada após investigações apontarem a existência de empréstimos contratados sem autorização dos beneficiários e até em nome de pessoas falecidas.
Segundo o governo federal, aproximadamente 25% dos segurados ainda não possuem biometria cadastrada, o que dificulta ou impede o acesso ao consignado para parte dos aposentados e pensionistas.
Representantes do setor bancário defendem mecanismos de proteção contra fraudes, mas afirmam que o atual modelo tornou a contratação excessivamente complexa. As instituições negociam alternativas junto ao governo, incluindo a utilização de outros sistemas de autenticação digital para ampliar o acesso ao crédito sem comprometer a segurança.
Debate sobre novas regras
Especialistas em finanças e defesa do consumidor avaliam que o momento exige uma discussão mais ampla sobre a concessão de crédito à população idosa. Entre os temas em debate estão limites de comprometimento da renda, formas de oferta dos empréstimos e mecanismos de fiscalização para evitar abusos e reduzir o risco de superendividamento.
Enquanto isso, o governo mantém a posição de priorizar medidas voltadas à proteção dos beneficiários do INSS, reforçando os controles para evitar fraudes e promover uma contratação mais segura e consciente.







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