Correios registram prejuízo de R$ 3,16 bilhões no primeiro trimestre de 2026
- Adilson Silva

- 1 de jun.
- 2 min de leitura
Os Correios encerraram o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,16 bilhões, quase o dobro do resultado negativo registrado no mesmo período do ano passado, quando as perdas somaram R$ 1,7 bilhão. Os números constam nas demonstrações financeiras divulgadas pela estatal.

O resultado amplia o cenário de dificuldades enfrentado pela empresa, que já havia acumulado prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025 e permanece operando no vermelho desde 2022.
Receitas caem e reestruturação segue em andamento
Sob a gestão do presidente Emmanoel Rondon, que assumiu o comando da companhia em setembro de 2025, os Correios seguem implementando um plano de reestruturação financeira. O objetivo é reorganizar as contas da estatal e recuperar sua sustentabilidade econômica nos próximos anos.
No primeiro trimestre deste ano, a receita bruta com vendas e prestação de serviços alcançou R$ 4,04 bilhões, representando queda de 2,2% em comparação com os R$ 4,13 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Os principais segmentos da empresa — encomendas, mensagens e postagens internacionais — apresentaram retração e continuam pressionando o faturamento da estatal. Apenas a categoria de outras receitas registrou crescimento expressivo, avançando 48% no período.
Custos operacionais diminuem
Apesar da redução nas receitas, a companhia conseguiu diminuir parte de seus gastos operacionais. Os custos relacionados aos serviços prestados recuaram 7,6%, passando de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões na comparação anual.
As despesas com pessoal também apresentaram queda de 4,1%, mesmo após reajustes salariais concedidos à categoria. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado pelo Programa de Demissão Voluntária (PDV) implementado nos últimos anos.
Provisão bilionária impacta resultado
Um dos principais fatores que contribuíram para o aumento do prejuízo foi o reconhecimento de uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a processos trabalhistas. O valor foi incorporado ao balanço após reavaliações jurídicas e revisões de estimativas sobre possíveis perdas judiciais.
Com isso, o montante reservado para contingências judiciais saltou de R$ 3,6 bilhões no encerramento de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.
A questão vinha sendo debatida por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União, que defendiam a reincorporação desses valores às demonstrações financeiras da empresa.
Despesas financeiras avançam
Outro ponto de pressão sobre as contas foi o crescimento das despesas financeiras. O indicador passou de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano.
O aumento ocorre em meio ao processo de reorganização financeira da estatal, que recebeu em 2025 um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para auxiliar na regularização de passivos e na execução de seu plano de recuperação.
Mesmo com os esforços de reestruturação e redução de custos, os números mostram que os Correios ainda enfrentam desafios significativos para equilibrar receitas, despesas e obrigações acumuladas ao longo dos últimos anos.







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