Compra do Banco Master pelo BRB é barrada após suspeitas de fraudes e vira alvo de investigação
- Adilson Silva

- há 2 dias
- 2 min de leitura
A tentativa de aquisição de parte do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) acabou frustrada após o Banco Central do Brasil identificar indícios de irregularidades na instituição privada. O negócio, que vinha sendo conduzido de forma reservada, foi oficialmente barrado em setembro de 2025, encerrando meses de articulações.

Internamente, a operação era conhecida como “Projeto Vértice” e envolvia negociações entre o comando do BRB e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master. A proposta previa a aquisição de uma fatia relevante do banco privado, estimada em bilhões de reais.
A decisão do Banco Central de vetar a transação ocorreu após uma longa análise e acabou interrompendo o avanço das tratativas. Nos bastidores do sistema financeiro, já havia dúvidas sobre a viabilidade do Master, diante de problemas de liquidez e desconfiança crescente entre grandes instituições.
O episódio ganhou ainda mais repercussão por envolver um banco público regional em uma operação considerada de alto risco. O movimento teria contado com apoio político, incluindo o do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, o que ampliou o alcance das investigações.
Atualmente, o caso é apurado pela Polícia Federal, que investiga possíveis irregularidades na condução da operação. Além de Vorcaro, figuram entre os investigados o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e outros envolvidos nas negociações.
A tentativa de aquisição gerou questionamentos no mercado financeiro, especialmente pelo fato de o BRB assumir o controle de uma instituição com dificuldades. Executivos do setor viam a operação como incomum, já que implicaria um banco estatal absorvendo riscos significativos de uma empresa privada fragilizada.
Outro ponto que chamou atenção foi a estratégia apresentada por Vorcaro, que defendia uma gestão compartilhada entre as instituições. A proposta previa que o Master se beneficiasse de fontes de financiamento mais baratas do BRB, enquanto o banco público teria maior flexibilidade para atuar no mercado privado.
Apesar das críticas, a defesa de Paulo Henrique Costa sustenta que a operação seguia critérios institucionais e não gerou prejuízos ao banco público, uma vez que não chegou a ser concretizada.
As investigações ganharam força após a identificação de indícios de fraudes, especialmente em carteiras de crédito consignado do Master. O Banco Central chegou a comunicar as irregularidades ao Ministério Público Federal antes da decisão final de barrar o negócio.
Entenda a cronologia do caso
2024: movimentações de capital no BRB levantam suspeitas entre investigadores
Início de 2025: começam reuniões internas sigilosas sobre a possível aquisição
Março de 2025: proposta é formalizada ao mercado
Maio de 2025: Master recebe apoio emergencial do sistema financeiro
Julho de 2025: indícios de fraudes são comunicados às autoridades
Setembro de 2025: Banco Central veta a operação
O caso segue em apuração e pode ter novos desdobramentos à medida que as investigações avançam, com potencial impacto tanto no setor bancário quanto no ambiente político.







Comentários