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Coluna Dizeeem: PT na Bahia transforma política em rifa e expõe crise interna

A recente “rifa política” envolvendo o senador Angelo Coronel escancarou algo que o PT da Bahia tenta esconder há tempos: a dificuldade de lidar com aliados quando eles deixam de ser úteis ao projeto de poder do partido.

O episódio, tratado nos bastidores como uma tentativa de “resolver no grito” uma disputa interna, revela mais do que uma simples divergência eleitoral — mostra um modelo de política baseado em conveniência e descarte.

Angelo Coronel, que já foi peça-chave na sustentação política do governo estadual e na composição da base aliada, agora se vê transformado em prêmio de rifa. Uma movimentação que soa menos como articulação política e mais como improviso, típica de quem perdeu o controle do tabuleiro e aposta no constrangimento público para forçar resultados.

O PT baiano, que historicamente se vendeu como defensor do diálogo, da construção coletiva e do respeito às alianças, parece hoje praticar o oposto. Quando o aliado serve, é exaltado; quando começa a incomodar ou reivindicar espaço, vira obstáculo a ser removido. A lógica é simples e conhecida: farinha pouca, meu pirão primeiro.

Essa estratégia não apenas desgasta relações políticas, como também cobra um preço alto institucionalmente. A mensagem enviada à classe política é clara: alianças com o PT têm prazo de validade e podem ser rompidas de forma abrupta, sem consideração pelo histórico ou pelo capital político construído em conjunto.

Além disso, o episódio ocorre em um momento sensível, às vésperas de disputas eleitorais decisivas. Em vez de fortalecer a base e demonstrar unidade, o partido opta por expor fissuras internas e apostar em movimentos que mais confundem do que agregam. O resultado é um ambiente de insegurança política, onde ninguém sabe quem será o próximo a ser rifado.

No fim das contas, a rifa envolvendo o senador Coronel não é apenas um fato isolado, mas um sintoma. Um sintoma de um partido que, após anos no poder na Bahia, parece mais preocupado em manter espaços a qualquer custo do que em sustentar relações políticas sólidas e coerentes com o discurso que sempre defendeu.

E, como a história mostra, blindagem política custa caro. E alguém, mais cedo ou mais tarde, sempre paga a conta.

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