Caso Banco Master envolve espionagem, tentativa de fuga e rede com mais de 300 entidades
- Adilson Silva

- há 22 horas
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Segundo apurações, o empresário Daniel Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal. Documentos protegidos teriam sido obtidos por meio de uma ação hacker que invadiu o computador do procurador responsável pelo caso.
Mesmo sob alto nível de sigilo judicial, detalhes da operação chegaram ao investigado antes da deflagração da ação policial, levantando suspeitas de um esquema estruturado de espionagem.
Dia da operação teve clima de “filme policial”
No dia em que a operação foi autorizada, investigadores relatam uma sequência de घटनas incomuns. Após tomar conhecimento antecipado da decisão judicial, Vorcaro teria articulado um plano para deixar o país, com rotas internacionais sendo avaliadas.
Ao mesmo tempo, sua defesa tentava reverter possíveis medidas judiciais. Paralelamente, surgiu o anúncio de uma proposta de compra do banco por uma empresa privada, interpretada por investigadores como uma possível tentativa de ganhar tempo ou facilitar a saída do empresário.
O caso foi conduzido no âmbito da operação Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura a negociação de carteiras de crédito bilionárias com o Banco de Brasília.
Monitoramento e suspeita de fuga
Durante o avanço das investigações, autoridades identificaram diferentes planos de voo associados ao empresário. A defesa, no entanto, sustenta que as viagens estavam relacionadas a negociações com possíveis investidores internacionais.
Mensagens analisadas pela PF indicam que Vorcaro mantinha contato com operadores responsáveis por monitoramento e obtenção de informações, incluindo um indivíduo apontado como coordenador de atividades ilegais dentro do grupo investigado.
Liquidação do banco
A estratégia do empresário não teve sucesso. Ele foi preso no aeroporto de Guarulhos no mesmo dia em que o Banco Central do Brasil decidiu pela liquidação do Banco Master.
De acordo com o órgão, a instituição enfrentava uma grave crise de liquidez, agravada por práticas consideradas irregulares, como a negociação de créditos inexistentes e o descumprimento de normas regulatórias.
O banco apresentava um descompasso significativo entre caixa disponível e compromissos financeiros imediatos, o que levou à intervenção.
Pressões e bastidores
Relatos indicam que o processo foi marcado por forte pressão sobre o Banco Central. Autoridades chegaram a ser alvo de campanhas públicas relacionadas à decisão sobre a operação envolvendo o Master e o BRB.
Internamente, houve divergências sobre o melhor caminho — entre a liquidação da instituição ou a busca por uma solução de mercado.
Estrutura financeira complexa
As investigações também identificaram uma extensa rede envolvendo pelo menos 216 fundos e 143 empresas. Esse sistema teria sido utilizado para movimentar recursos e sustentar operações financeiras de difícil rastreamento.
Entre os ativos utilizados estariam créditos de baixa liquidez e difícil avaliação, que teriam sido valorizados artificialmente dentro dos fundos, permitindo a circulação de grandes volumes de recursos.
Parte desse dinheiro teria sido direcionada para aquisições de alto valor, incluindo imóveis de luxo.







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