Bolsonaro encara julgamento no STF, enquanto lembranças do “caso Lula” voltam ao debate político e jurídico
- Adilson Silva

- 31 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para 2 de setembro, reacende comparações com os episódios vividos por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na época da Lava Jato. Embora os casos envolvam crimes diferentes, os discursos de perseguição política, as movimentações no exterior e o confronto direto com membros do Judiciário lembram a narrativa petista de anos atrás.

Na Lava Jato, Lula se dizia vítima do então juiz Sergio Moro, que o condenou em 2017 por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Preso em 2018, o petista só deixou a cadeia em 2019, após o STF mudar o entendimento sobre execução provisória da pena. Em 2021, o Supremo anulou suas condenações e considerou Moro parcial. Hoje, ironicamente, o advogado que defendeu Lula na época — Cristiano Zanin — é ministro da Corte e participará do julgamento de Bolsonaro.
Agora, é Bolsonaro quem alega perseguição, desta vez por parte de Alexandre de Moraes. A defesa do ex-presidente tentou afastar o ministro da relatoria por ele se considerar vítima de um plano investigado, mas o pedido foi rejeitado.
Enquanto isso, a segurança em Brasília foi reforçada para o julgamento: bloqueios no entorno da Praça dos Três Poderes, monitoramento extra de ministros e restrição a acampamentos. Situação semelhante à vivida por Lula em 2017, quando depôs em Curitiba e também mobilizou caravanas de apoiadores e opositores.
Na política, a disputa também envolve sucessão. Enquanto Lula já havia preparado Fernando Haddad para ser seu substituto em 2018, Bolsonaro ainda não definiu quem herda sua liderança na direita — tema que preocupa aliados em meio às incertezas eleitorais.
No campo internacional, os paralelos seguem. Lula acionou organismos como a ONU durante a Lava Jato. Já Bolsonaro conta com aliados no exterior, incluindo o deputado Eduardo Bolsonaro em autoexílio nos EUA, que conseguiu até Donald Trump sancionar Moraes com restrições de entrada no país.
Críticos, como o ex-ministro petista José Eduardo Cardozo, tentam diferenciar os dois casos dizendo que, enquanto Lula buscou apenas “denunciar violações de direitos”, bolsonaristas teriam ido além, pressionando governos estrangeiros.
No fim, o julgamento de Bolsonaro não é apenas jurídico: é político, simbólico e inevitavelmente comparado ao que Lula já viveu — só que, desta vez, com papéis invertidos.
💬 Dizeeeeem
Engraçado como o PT jurava que Lula era um perseguido político, mas quando Bolsonaro levanta a mesma bandeira, a narrativa vira “crime contra a democracia”. A diferença? Um teve condenações anuladas por “erro do juiz” e voltou a ser presidente. O outro, sem nem poder disputar eleição, segue cercado por tornozeleira e vigilância 24h. Justiça seletiva? Ah, mas dizeeeeem que é tudo coincidência…







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