Coluna Dizeeem: Blindagem política e descarte de aliados, bastidores expõem cálculo de poder na Bahia
- Adilson Silva

- há 16 horas
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A reconfiguração do tabuleiro político na Bahia, que resultou no isolamento do senador Angelo Coronel dentro do grupo governista, revela mais do que uma simples disputa por vagas ao Senado em 2026.

Nos bastidores, a leitura predominante é de que o episódio escancara duas práticas recorrentes da política brasileira: o descarte de aliados quando deixam de ser úteis e a busca incessante por blindagem institucional.
Integrantes e observadores do cenário político avaliam que o PT agiu de forma pragmática ao utilizar um aliado histórico até o limite de sua conveniência política. Quando o espaço se tornou escasso e a disputa interna se intensificou, Coronel teria sido deixado de lado sem maiores cerimônias.
Já o senador Otto Alencar, figura central na articulação, teria seguido uma lógica ainda mais direta: em um ambiente de recursos e espaços limitados, a prioridade passa a ser a autopreservação. A blindagem política, avaliam interlocutores, tem custo elevado — e alguém sempre acaba pagando a conta.
Família no centro do poder
Antes mesmo do rearranjo eleitoral, Otto teria iniciado um movimento silencioso, mas estratégico, ao indicar o próprio filho para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA). Trata-se de uma função vitalícia, com alto salário e forte poder institucional, considerada uma das mais influentes da estrutura administrativa estadual.
Além disso, a presença de filhos, irmãos, genros e sobrinhos em diferentes espaços do poder reforça a percepção de que o projeto político ultrapassa o debate partidário e assume contornos familiares. Para críticos, esse desenho levanta uma questão inevitável: em momentos decisivos, a prioridade será o interesse público ou a proteção do próprio núcleo familiar?
O Senado como peça-chave
Nesse contexto, a disputa pela vaga no Senado ganha contornos ainda mais sensíveis. O mandato garante foro privilegiado, influência nacional e tempo político — elementos considerados decisivos em um ambiente marcado por investigações passadas, processos arquivados e reabertos ao longo dos anos.
Com esse pano de fundo, analistas avaliam que a exclusão de Angelo Coronel não foi um episódio isolado, mas parte de uma sequência lógica de movimentos. Quando os pontos são ligados, o cenário revela uma engrenagem em que alianças são descartáveis, instituições são estratégicas e a política se confunde com mecanismos de autoproteção.
Enquanto o discurso oficial sustenta a ideia de unidade e projeto coletivo, os bastidores mostram que o jogo real continua sendo jogado longe dos holofotes — e nem sempre em favor da Bahia.







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