Banco Central reduz Selic para 14,25% ao ano e evita sinalizar próximos passos
- Adilson Silva

- há 18 horas
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira (17), reduzir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, levando a Selic de 14,5% para 14,25% ao ano. Trata-se da terceira queda consecutiva promovida pela autoridade monetária, que mantém cautela diante das incertezas relacionadas à inflação.

A decisão foi tomada por unanimidade pelos integrantes presentes no colegiado, liderado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O comitê voltou a se reunir com número reduzido de diretores, situação que já ocorreu em metade dos encontros realizados neste ano.
No comunicado divulgado após a reunião, o Copom evitou antecipar os próximos movimentos da política monetária. Segundo o colegiado, a intensidade total do ciclo de redução dos juros dependerá da evolução dos indicadores econômicos e da trajetória da inflação nos próximos meses.
O processo de flexibilização monetária teve início em março, quando a Selic estava em 15% ao ano. Desde então, o Banco Central realizou três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual.
A decisão desta quarta-feira estava alinhada à expectativa predominante do mercado financeiro. A maior parte das instituições consultadas por analistas já projetava uma nova redução da taxa básica para o patamar atual de 14,25% ao ano.
No cenário internacional, a medida foi anunciada horas após o banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve, manter os juros norte-americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano. Com isso, a diferença entre as taxas de juros praticadas no Brasil e nos Estados Unidos permanece elevada.
Apesar do corte, o ambiente econômico continua desafiador. As projeções do próprio Banco Central indicam aumento das expectativas de inflação. No cenário de referência do Copom, a estimativa para a inflação de 2026 passou de 4,6% para 5,2%, enquanto a previsão para 2027 avançou de 3,5% para 3,7%.
A meta oficial de inflação perseguida pelo Banco Central é de 3%, com margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%. Recentemente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atingiu 4,72% no acumulado de 12 meses até maio, superando o teto da meta estabelecida.
As expectativas do mercado também seguem pressionadas. De acordo com o último Boletim Focus, a projeção para a inflação deste ano está em 5,3%. Para 2027, a estimativa alcançou 4,10%, enquanto a previsão para 2028 foi elevada para 3,68%.
Diante desse cenário, o Banco Central reforçou que futuras decisões sobre os juros continuarão condicionadas ao comportamento da inflação e aos dados econômicos que forem divulgados nos próximos meses.







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