Banco Central aponta alta de 75% no número de brasileiros com endividamento de risco
Por Redação | Fatos Políticos
O número de brasileiros classificados pelo Banco Central como pessoas em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026. O contingente cresceu 75% em cinco anos e representa aproximadamente 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional, segundo dados divulgados pela Agência Brasil nesta terça-feira (27).
O avanço preocupa a autoridade monetária, que anunciou a intenção de adotar novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito e reduzir situações em que empréstimos podem agravar as dificuldades financeiras dos consumidores.

Famílias de menor renda comprometem parcela elevada do orçamento
De acordo com o levantamento, pessoas que recebem até dois salários mínimos comprometem, em média, 42% da renda com dívidas. Dentro desse grupo, 15% da renda é destinada ao pagamento de obrigações relacionadas ao cartão de crédito.
Entre os consumidores com rendimentos superiores a dez salários mínimos, o comprometimento total da renda com dívidas foi estimado em 18,6%.
Os dados mostram diferenças entre as faixas de renda, mas indicam que o custo das dívidas pode consumir uma parcela significativa do orçamento familiar.
Como o Banco Central identifica o risco
A classificação adotada pelo Banco Central considera diferentes sinais de vulnerabilidade financeira. Entre eles estão atrasos superiores a 90 dias, comprometimento de mais da metade da renda com dívidas, uso simultâneo de modalidades de crédito consideradas mais caras e renda insuficiente após o pagamento das obrigações.
Para entrar na categoria, o consumidor precisa atender a pelo menos dois desses critérios.
O enquadramento não significa necessariamente que todas as pessoas incluídas estejam inadimplentes. Ele indica maior exposição a dificuldades para administrar as dívidas e manter as despesas essenciais.
Novas regras para ofertas de empréstimos
O Banco Central informou que pretende priorizar medidas direcionadas a consumidores que utilizam crédito rotativo ou apresentam atrasos significativos.
Entre as mudanças já anunciadas estão mecanismos para bloquear publicidade e ofertas ativas de crédito. Para pessoas consideradas vulneráveis, propostas de novos empréstimos deverão depender de autorização prévia, específica e inequívoca, conforme as regras divulgadas.
Parte das medidas está prevista para entrar em vigor em 2027. A iniciativa busca ampliar a transparência nas contratações e reduzir a oferta de crédito inadequado a consumidores em situação financeira delicada.










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