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Banco Central abriu investigação após identificar evolução patrimonial suspeita de servidores no caso MasterBanco

O Banco Central do Brasil abriu uma investigação interna após identificar evolução patrimonial considerada incompatível com os rendimentos de dois servidores ligados à área de supervisão bancária no caso envolvendo o Banco Master.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

Os alvos da apuração são Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Segundo a sindicância, foram encontrados indícios de crescimento patrimonial incompatível com os salários recebidos pelos dois servidores.

De acordo com dados do Portal da Transparência, o salário bruto de Santana chegou a cerca de R$ 45,9 mil em janeiro, próximo ao teto do funcionalismo público federal, enquanto Paulo Sérgio recebeu aproximadamente R$ 38,9 mil no mesmo período. Apesar disso, a investigação identificou mudanças significativas no padrão de vida dos envolvidos.

Entre os pontos analisados está a venda de uma propriedade rural por Paulo Sérgio por cerca de R$ 3 milhões a um fundo de investimentos controlado por Fabiano Zettel, ligado ao empresário Daniel Vorcaro. O modelo da negociação seria semelhante ao utilizado em empreendimentos como o Resort Tayayá, no qual o vendedor recebe pelo imóvel, mas mantém o direito de usufruir da propriedade.

A investigação também aponta que Vorcaro mantinha contato frequente com os dois servidores, tratando de assuntos relacionados à situação regulatória do Banco Master. Mensagens interceptadas indicariam que eles teriam orientado o empresário sobre estratégias em reuniões institucionais, além de analisar documentos e minutas relacionadas ao banco.

Em decisão recente, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, destacou que as conversas sugerem que o ex-diretor do BC atuava como uma espécie de consultor informal do banqueiro em temas de interesse privado.

Diante dos indícios, os dois servidores foram afastados administrativamente em janeiro e tiveram acesso a bens bloqueado durante a investigação. Posteriormente, também deixaram suas funções comissionadas no Banco Central. Agora, com decisão do STF, o afastamento passou a ter caráter judicial.

As apurações internas do Banco Central podem servir de base para a abertura de um processo administrativo disciplinar. Caso sejam confirmadas irregularidades, os envolvidos podem sofrer sanções que vão desde advertência até exoneração do serviço público. O caso também poderá ser encaminhado à Controladoria-Geral da União.

Apesar das suspeitas envolvendo os servidores investigados, interlocutores da instituição afirmam que as providências foram tomadas assim que surgiram os primeiros indícios e que a credibilidade do Banco Central permanece preservada.

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