Atlas da Violência aponta concentração de homicídios em 99 cidades brasileiras em 2024
- Adilson Silva

- 26 de mai.
- 2 min de leitura
O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, com taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes, segundo a nova edição do Atlas da Violência, divulgada nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O levantamento mostra que metade dos assassinatos registrados no país ocorreu em apenas 99 municípios brasileiros, o equivalente a 1,8% das 5.570 cidades do país. Juntos, esses municípios concentram cerca de 43,4% da população nacional.
Segundo o estudo, a violência letal ficou ainda mais concentrada em 2024. Em anos anteriores, mais de 160 municípios eram responsáveis por metade dos homicídios registrados no país.
As regiões Norte e Nordeste apresentaram os índices mais elevados de violência. Os estados com maiores taxas de homicídios foram Amapá, Ceará, Bahia, Alagoas e Pernambuco.
Os pesquisadores apontam que a expansão de facções criminosas para cidades do interior tem contribuído para o aumento da violência em municípios médios, especialmente em áreas com disputas por territórios ligados ao tráfico de drogas.
Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza, apresentou a maior taxa de homicídios do país. O município enfrenta conflitos envolvendo facções criminosas como o Comando Vermelho e grupos locais.
A pesquisa também destaca a situação da Salvador, que apareceu como a capital brasileira com maior índice de homicídios em 2024, registrando taxa estimada de 52,7 mortes por 100 mil habitantes.
Entre os dez municípios mais violentos do país com mais de 100 mil moradores, seis estão localizados na Bahia e quatro no Ceará. Jequié aparece entre os municípios com maiores índices de violência letal.
O levantamento também revela que jovens seguem sendo as principais vítimas da violência no Brasil. Pessoas entre 15 e 29 anos representaram 46,5% dos homicídios registrados no país em 2024. Segundo o Atlas, mais de 300 mil jovens foram assassinados entre 2014 e 2024.
Outro ponto destacado pelo estudo é a divergência entre os dados oficiais e as estimativas do Atlas da Violência. Os pesquisadores afirmam que parte das mortes violentas registradas sem causa definida pode esconder homicídios não contabilizados oficialmente, chamados pelo estudo de “homicídios ocultos”.
Com a reclassificação estatística dessas ocorrências, o número estimado de assassinatos em 2024 sobe para 49.673 casos, elevando a taxa nacional para 23,4 mortes por 100 mil habitantes.








Comentários