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Associações da Bahia ligadas a esquema de créditos suspeitos receberam R$ 8,2 milhões do Banco Master

Duas associações de servidores da Bahia investigadas por suposto envolvimento em um esquema de créditos irregulares repassados ao Banco de Brasília receberam, juntas, cerca de R$ 8,2 milhões do Banco Master entre os anos de 2022 e 2025, segundo informações da Receita Federal.

Os dados constam em declarações fiscais enviadas ao Fisco e posteriormente compartilhadas com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado.

As entidades citadas são a Asseba e a Asteba, que foram alvo de operação da Polícia Federal no âmbito da investigação denominada “Compliance Zero”, deflagrada em novembro do ano passado.

Valores e movimentações

De acordo com os registros, a Asteba recebeu aproximadamente R$ 5,95 milhões no período analisado. Já a Asseba acumulou cerca de R$ 2,3 milhões em repasses.

As declarações indicam que, em 2025, os valores podem estar ligados a aplicações financeiras em renda fixa realizadas pelas associações junto ao Banco Master. Nos anos anteriores, no entanto, não há detalhamento sobre a natureza dos pagamentos.

Ligação com investigado

A Polícia Federal aponta que as duas associações teriam sido criadas e seriam controladas pelo empresário Augusto Lima, que já foi sócio de Daniel Vorcaro na instituição financeira.

Segundo as investigações, Lima possui poderes para representar as entidades perante instituições financeiras e realizar movimentações de recursos. Ele chegou a ser preso durante a operação, mas atualmente responde em liberdade, com uso de tornozeleira eletrônica.

Ainda conforme a PF, há indícios de ligação direta entre as associações e empresas do grupo empresarial de Lima, incluindo compartilhamento de contatos informados à Receita Federal.

Suspeita de esquema bilionário

O Ministério Público Federal aponta que os valores descontados de servidores — referentes a mensalidades e serviços associativos — seriam incompatíveis com o volume de crédito supostamente gerado.

A investigação indica que as associações teriam sido utilizadas como base para a criação de carteiras de empréstimos consignados que chegaram a cifras bilionárias, posteriormente negociadas com o BRB.

Falta de posicionamento

As duas associações foram procuradas para comentar o caso, mas não apresentaram respostas até o momento. Representantes e dirigentes também não se manifestaram, assim como a defesa de Augusto Lima.

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