ANJ pede investigação sobre suposta quebra de sigilo da jornalista Malu Gaspar
- Adilson Silva

- 2 de jul.
- 2 min de leitura
A Associação Nacional de Jornais manifestou preocupação e cobrou uma investigação sobre a suposta obtenção irregular de dados pessoais da jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo.
Segundo informações reveladas a partir de mensagens analisadas pela Polícia Federal, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o publicitário Thiago Miranda teriam trocado mensagens sobre o levantamento de informações pessoais e financeiras da jornalista durante a crise envolvendo o Banco Master.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (2), a ANJ classificou o episódio como uma tentativa de intimidação ao trabalho da imprensa e defendeu uma apuração imediata sobre a forma como os dados teriam sido acessados. A entidade também destacou que informações pessoais são protegidas pela Lei Geral de Proteção de Dados e devem permanecer sob resguardo legal.
As mensagens, que teriam sido trocadas entre março e abril de 2025, indicam que os envolvidos discutiram dados financeiros da jornalista, incluindo informações relacionadas à movimentação de cartões e estimativas de renda. Conforme o conteúdo divulgado, após não encontrarem elementos comprometedores, surgiram conversas sobre estratégias para interromper as reportagens produzidas por Malu Gaspar.
Entre as possibilidades debatidas estava a oferta de um contrato profissional para a jornalista, inicialmente por meio da revista IstoÉ e, posteriormente, pelo Grupo Leo Dias, onde Thiago Miranda atuava como diretor-executivo até junho de 2025. Segundo as informações divulgadas, nenhuma das propostas foi concretizada.
Na quarta-feira (1º), O Globo também publicou uma nota de repúdio, afirmando que a suposta coleta de informações pessoais tinha o objetivo de constranger a atuação da jornalista e comprometer a liberdade de imprensa.
Até o momento, a defesa de Daniel Vorcaro não se pronunciou sobre o caso. O ex-banqueiro está preso preventivamente desde março, no âmbito da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master.
As investigações também apuram a atuação de Thiago Miranda na gestão da comunicação de crise do banco. Conforme a Polícia Federal, contratos firmados por sua agência com influenciadores digitais teriam sido utilizados para impulsionar campanhas de críticas ao Banco Central do Brasil e ao ex-diretor da instituição, Renato Gomes. Parte desses contratos foi encerrada após o avanço das investigações conduzidas pela PF.








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