Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha aprovada pela CPI do INSS
- Adilson Silva

- há 7 dias
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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), decidiu manter a deliberação da CPI mista do INSS que autorizou a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Ao analisar recurso apresentado por parlamentares governistas, Alcolumbre concluiu que não houve descumprimento claro do regimento interno ou da Constituição que justificasse a intervenção da presidência do Congresso para anular o ato da comissão. Segundo ele, mesmo que tenha havido divergência na contagem de votos, o número apresentado pelos autores do recurso não seria suficiente para alterar o resultado proclamado.
A votação ocorreu na última quinta-feira (26) e foi marcada por discussões acaloradas entre parlamentares. O pedido de quebra de sigilo foi incluído em um bloco de requerimentos analisados de forma simbólica — modelo em que os favoráveis permanecem sentados e os contrários se levantam, sem registro nominal individual.
Aliados do governo questionaram o resultado anunciado pelo presidente da CPI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG). Eles sustentam que 14 parlamentares teriam se manifestado contra a medida, enquanto apenas sete votaram a favor, em um universo de 21 presentes no momento da deliberação.
Carlos Viana, porém, considerou como base o quórum de 31 parlamentares registrado no painel eletrônico na votação nominal anterior. Nesse cenário, seriam necessários ao menos 16 votos contrários para formar maioria e rejeitar o requerimento. Assim, mesmo admitindo possível equívoco na contagem visual, Alcolumbre avaliou que não haveria número suficiente para reverter a decisão.
A controvérsia gira em torno da interpretação do regimento do Congresso, especialmente sobre o quórum válido para votação simbólica e a participação de suplentes. Enquanto governistas defendem que apenas os presentes no momento da deliberação deveriam ser considerados, a presidência da CPI sustenta que vale o quórum formal registrado.
Lulinha é investigado pela comissão por suposto vínculo com o lobista Antônio Camilo, conhecido como “Careca do INSS”, acusado de intermediar descontos indevidos em aposentadorias. A suspeita envolve um pagamento de R$ 300 mil a uma empresária apontada como ligada ao filho do presidente.
A defesa de Fábio Luís afirma que ele não teve qualquer participação nas supostas irregularidades e nega a prática de ilícitos.
Com a decisão de Alcolumbre, permanece válida a autorização para acesso aos dados bancários e fiscais no âmbito da CPI, enquanto o debate jurídico e político sobre o procedimento continua nos bastidores do Congresso.







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